

APRESENTAÇÃO
Em um cenário marcado por desafios complexos e interconectados, a produção científica brasileira tem se destacado por integrar diferentes áreas do conhecimento na busca por soluções concretas. É nesse contexto que se insere a obra “Pesquisas em Educação, Saúde e Meio Ambiente no Brasil”, um livro que convida o leitor a percorrer um panorama atual, crítico e profundamente relevante sobre temas que impactam diretamente a sociedade.
A obra reúne estudos que dialogam entre si ao explorar, com rigor científico e sensibilidade social, questões que vão desde a percepção comunitária sobre doenças negligenciadas até estratégias inovadoras de ensino e tecnologias sustentáveis. Ao longo dos capítulos, o leitor encontrará reflexões que evidenciam a importância da informação na promoção da saúde, o papel das práticas integrativas no cuidado humano, e os desafios enfrentados na vigilância e controle de doenças de grande impacto no Brasil.
Mais do que apresentar resultados, o livro revela o compromisso dos pesquisadores com a realidade brasileira, especialmente em contextos muitas vezes invisibilizados, como regiões amazônicas e municípios prioritários para políticas públicas. As abordagens adotadas destacam a interdisciplinaridade como ferramenta essencial, conectando educação, ciência, tecnologia e saúde pública de maneira fluida e estratégica.
Outro ponto que merece destaque é a capacidade da obra de articular conhecimento teórico com aplicações práticas. Seja ao propor metodologias inovadoras para o ensino de conceitos científicos complexos, seja ao discutir intervenções em saúde baseadas em evidências.
Desejamos a todos uma ótima leitura.
Prof. Dra. Naila Sbsczk Pereira Meneguetti
Jociel Klleyton Santos Santana
Jader Oliveira


O presente livro “Morfoanatomia Adaptativa das Plantas do Campus da UFAC: um Passeio Didático“, é resultado das atividades de campo realizadas semestralmente dentro da disciplina de Anatomia de Plantas Vasculares do curso da Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre (UFAC). Nele, examinamos as notáveis adaptações morfoanatômicas da flora presente na UFAC, oferecendo uma amostra das observações evolutivas que ali se encontram.
Este trabalho é uma colaboração entre os seguintes autores: professora Dra. Berenice Kussumoto de Alcântara da Silva, responsável pela disciplina de Anatomia de Plantas Vasculares, quatro alunos da graduação, os estudantes Diego de Sousa Oliveira, Kaio Moises Souza do Nascimento, Nicolas Pinheiro Veras e Gustavo Henrique Araújo da Silva que elaboraram um relatório prático com base na experiência da caminhada, além da participação da egressa do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Inovação e Tecnologia para Amazônia, Mestra Erlângela Rocha Viga, que atuou como estagiária de docência na disciplina durante o curso de mestrado. Juntos, buscamos compartilhar o conhecimento, além de inspirar a curiosidade aos futuros estudantes, bem como cultivar o amor pela Botânica.
No decorrer deste livro, analisamos estratégias de sobrevivência em múltiplos níveis de organização, desde as estruturas subterrâneas até a biologia reprodutiva. Detalhamos as adaptações radiculares, incluindo a função biomecânica das raízes tabulares (sapopemas) e das raízes-escora (Socratea exorrhiza), que garantem a estabilidade em solos instáveis. Abordamos também o papel dos pneumatóforos (Mauritia flexuosa) na respiração em ambientes anóxicos. Investigamos as estratégias de crescimento escandente, como o modo de vida epifítico de algumas espécies e os mecanismos de ascensão de lianas, como os caules volúveis e sarmentosos. No domínio da reprodução, exploramos o sistema de polinização multimodal de Pachira aquatica, que envolve morcegos, mariposas e abelhas, além do fenômeno da geocarpia em Arachis pintoi, mediado pelo ginóforo. Por fim, analisamos a arquitetura foliar, abordando a filotaxia como um mecanismo de otimização da luz, além dos cladódios em Cactaceae como adaptações à aridez.
A diversidade morfoanatômica é uma resposta direta à complexidade ambiental, ilustrando a intrínseca relação entre forma e função no sucesso ecológico das espécies. Os autores esperam que este livro sirva como um guia didático e uma fonte de inspiração para futuras explorações e estudos da flora amazônica.
Palavras-chave: Botânica. Organografia. Anatomia Vegetal. Ecologia Neotropical.
Berenice Kussumoto Alcântara Silva
Diego de Sousa Oliveira
Kaio Moises Souza do Nascimento
Nicolas Pinhero Veras
Gustavo Henrique Araújo da Silva
Erlângela Rocha Viga


Dois meninos correm de patinete falando sobre Star Wars. Uma menina muito concentrada desenha seres fantásticos, ignorando a discussão ao lado sobre quem havia riscado ou não a mesa. Três meninas criam arapucas para capturar o saci. Dois meninos deitados no chão montam uma fábrica de robôs com pequenas peças de encaixe. Dois meninos observam no muro larvas de joaninha. Um menino e uma menina, sentados dentro de uma caixa, compartilham a leitura de um livro. Uma professora molha a areia seca buscando amenizar a temperatura de uma tarde quente de São Paulo.
Este livro, fruto da pesquisa de doutoramento intitulada Processos de criação e leitura de livros de imagem: interlocuções entre artistas e crianças, defendida em 2016 no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Unicamp, sob orientação da Profa. Dra. Lucia Reily, retrata uma pesquisa acadêmica pouco convencional.
Foi pensado e construído tendo como paisagem sonora o som de crianças em suas diferentes atividades: brincando, falando alto, chorando, conversando, lendo, correndo, rindo, brigando, cochichando… Se, na maioria das vezes, o trabalho acadêmico tem como características o isolamento e o silêncio, este se difere pois esteve repleto de crianças em todas as etapas.
Crianças-sujeitos da pesquisa nas interlocuções das narrativas, crianças das leituras nas bibliotecas e espaços visitados, crianças com as quais convivia como professora de educação infantil, crianças da minha casa, que tornaram este trabalho possível na medida em que apresentaram os modos de se relacionar com os livros e de perceber as imagens em sua potência narrativa, dando os indícios de quais caminhos elas seguem na leitura.
Para compreender esse estudo e os motivos pelos quais ele foi desenvolvido são necessárias, de antemão, algumas palavras para situá-lo e elucidar o lugar de onde falo enquanto pesquisadora.
Sou pedagoga formada pela Faculdade de Educação da Unicamp e sempre estive muito interessada nas produções culturais destinadas à infância. Minha preocupação está sobretudo voltada aos produtos culturais criados e oferecidos para as crianças e suas relações intencionais de formação, do ponto de vista estético e educativo.
Minhas inquietações levaram-me a pesquisar, ainda na graduação, os modos de relação das crianças com as imagens dos livros de literatura infantil. Desta experiência derivou-se uma pesquisa de mestrado em artes sobre as memórias do processo de criação de três artistas que produzem narrativas visuais: Angela Lago, André Neves e Graça Lima.
No mestrado, o objetivo era compreender os modos de criação dos livros de imagem e a intencionalidade destes artistas enquanto adultos que produzem para leitores em formação. Neste ínterim, surgiu o disparador desta pesquisa de doutoramento: os artistas falaram nas entrevistas sobre a criação solitária e indicaram que muitas vezes somente após a publicação das obras é que eles obtinham respostas das crianças sobre as narrativas.
Minha experiência como professora de crianças, por outro lado, me mostrava que algumas imagens eram incompreensíveis para elas. Muitas vezes, não conseguiam interpretar as sequências e acompanhar o fluxo dos sentidos pretendidos pelos artistas nas viradas de páginas. Para tal, as crianças pequenas precisavam da mediação de um adulto.
No presente estudo, busquei compreender as estratégias de interpretação que crianças pequenas empregam para a leitura de imagens em sequência narrativa, assim como constroem expectativas de continuidade da história.
Assim, busquei abranger a discussão acerca das particularidades do processo de criação e leitura das narrativas visuais propondo a interlocução dos artistas com as crianças. Como as crianças compreendem a continuidade da história? Como elas preenchem as lacunas na virada da página? As crianças entendem a repetição dos personagens como representação de ações? Como o processo de criação se desenvolverá diante de uma incompreensão por parte das crianças? Quais ideias de continuidade as crianças darão para a narrativa proposta? Essas eram algumas das questões antes do início da pesquisa de campo.
As crianças que participaram da troca com os artistas frequentavam a Creche/Pré-Escola Central da Universidade de São Paulo¹, instituição na qual atuava como professora de educação infantil.
Como professora do grupo, entendia que minha relação com as crianças seria mais intensa e o elo necessário para mediação das narrativas seria mais estreito, construído cotidianamente. Além disso, tomaria contato com as crianças em diferentes situações, ampliando meu conhecimento em relação a este agrupamento.
Dois artistas têm um papel de destaque nesse estudo: Ciça Fittipaldi e Laurent Cardon. Ambos aceitaram participar de uma criação em que as opiniões e sugestões de leituras de crianças deveriam ser consultadas ao longo de seus processos de criação da narrativa visual.
Na construção dos dados que tiveram por foco a relação entre pessoas e a prática artística acabaram surgindo situações não planejadas. Por outro lado, o aprendizado diante dos dados que se constituíram no processo, em cada palavra, em cada gesto, não consta em projeto algum.
Os dados desta pesquisa mesclam-se com o cotidiano das crianças, dos artistas e da pesquisadora. Emergiram em situações espontâneas no pátio da Central, em que as crianças pensavam que iriam encontrar o Saci que foi trazido por Ciça Fittipaldi. Os dados foram tecidos num e-mail em que a artista revela sua incerteza acerca do andamento da narrativa.
Na observação da mediação de leitura feita pelo próprio artista em uma sala na Central, pérolas foram encontradas, por vezes, nas falas sobrepostas das crianças que se manifestavam na ânsia de falarem todas ao mesmo tempo; apenas na retomada da gravação puderam ser escutadas, na rememoração do momento vivido coletivamente, e na análise descobrimos uma proposição significativa ofuscada pelos discursos mais enfáticos.
Nesta pesquisa utilizamos abordagens qualitativas e os dados foram construídos a partir de registros videogravados e gráficos. Interessava-nos principalmente coletar os dados em dois eixos de pesquisa: nas leituras com as crianças e nas entrevistas com artistas que produzem livros.
O enfoque era dado nos dizeres dos sujeitos participantes, crianças e artistas, buscando evidenciar o que eles consideravam relevante na criação e na leitura.
Durante a pesquisa, fui contemplada com a bolsa do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PSDE-Capes) e pude aprofundar o estudo teórico junto à Université Paris Ouest Nanterre La Défénse (Paris X), sob supervisão da Profa. Dra. Idelette Muzart-Fonseca dos Santos.
Este estágio alargou a compreensão do livro de imagem, da criação artística e da mediação de leitura. Ao mesmo tempo, tive oportunidade de coletar dados com crianças franco-brasileiras e crianças de diferentes origens em atividades de leitura de livros de imagem, o que ampliou e enriqueceu a discussão.
De modo geral, este livro busca discutir o livro de imagem no que tange sua natureza, criação e fruição.
Assim, no primeiro capítulo, “Livro de Imagem: origens e definições”, aprofundamos o estudo histórico para compreender as heranças gráficas que possibilitaram o desenvolvimento desse tipo de livro. Buscamos também trazer diferentes vozes sobre esse gênero, além da compreensão contemporânea desse objeto.
Já o segundo capítulo, “Leitura de imagem e mediação”, parte da perspectiva sócio-histórica na tentativa de discutir o que se pensa sobre leitura de imagem e mediação. A tônica se estabelece a partir da leitura de imagem, suas diferentes concepções e relatos de experiências concretas sobre esta prática, dirigindo o foco para a mediação adulto-criança e a relação da criança com o livro. Buscamos, sobretudo, discutir as relações de significação e afetos entre pessoas e livros.
O terceiro capítulo, “Imagem e processo de criação”, foi reservado para a discussão acerca das especificidades da criação artística de narrativas visuais.
No quarto capítulo, “Interação artistas-crianças”, são apresentadas e discutidas as experiências das duas narrativas visuais de Laurent Cardon e Ciça Fittipaldi produzidas em interlocução com um grupo de crianças.
No último capítulo, “Imagem: linguagem universal?”, analisamos leituras das duas narrativas visuais realizadas com crianças francesas, buscando discutir a amplitude da universalidade da imagem.
A imagem de epígrafe, ganhei de Isabela, que a retirou do bolso, desdobrou e me deu. Quando perguntei em que consistiam essas linhas coloridas, a resposta foi:
“— É um poema só por imagens, você não está vendo?”
E saiu correndo.
Enquanto adultos, queremos sempre ensinar as crianças. Quando nos permitimos, vemos que podemos aprender muito com elas.
Hanna Talita Araujo


RESUMO
As plantas medicinais são utilizadas desde os primórdios da humanidade e atuam no processo de prevenção, alívio e cura de enfermidades, além de bem-estar. Neste sentido surge O estudo da Etnobotânica, o qual procura estudar as conexões e interatividades que o homem dispõe sobre o uso das plantas. É por meio dela que se estuda o perfil de uma determinada comunidade, bem como seus hábitos e individualidades, especialmente sua conexão com as plantas. Este livro teve como objetivo realizar um estudo etnobotânico em quatro comunidades ribeirinhas (Praia do Gado, Praia de Lábrea, Cassianã e Maciarí) no município de Lábrea-AM. A pesquisa foi realizada entre março de 2022 a 2025, e contou com a participação de 140 moradores, no total. Utilizou-se questionárioS semiestruturado com 20 perguntas, abertas e fechadas, para verificar o perfil socioeconômico e etnobotânico das plantas medicinais utilizadas. Verificou-se um total de seis espécies vegetais mais mencionadas pelos moradores das comunidades, sendo as mais representativas: copaíba (Copaifera langsdorffii Desf.), andiroba (Carapa guianensis Aubl.), hortelã (Mentha spp.), boldo (Peumus boldus Andrews.), alfavaca (Ocimum basilicum L.) e corama (Kalanchoe pinnata Lam.). A forma de preparo mais utilizada foi o chá, sendo a folha a parte da planta mais utilizada. E as doenças mais indicadas foram do sistema imunológico, respiratório e digestório. Portanto, o uso de plantas medicinais nas comunidades ribeirinhas da Amazônia se torna o único recurso de acesso para que a população tenha um melhor bem-estar e saúde.
Palavras-chave: Conhecimentos tradicionais, Sul do Amazonas e Sustentabilidade.
Carolina Wagner, Caio Lucas Pinheiro Fernandes, Douglas Marcelo Pinheiro da Silva, Doraci Brito de Souza, Elizabeth da Silva Lima, Fabiana Caetano Furtado Gabriel Leal Vieira, José Martins Gomes, Jennifer Carvalho Viana, Luiz Cláudio Mello Gomes, Osvanda Silva De Moura, Renato Abreu Lima, Rosineide Campos Chaves, Roberto Carlos Albuquerque de Freitas e Viviane Vidal da Silva


APRESENTAÇÃO
Ao longo de duas semanas, entre 3 e 15 de junho de 2025, 17 estudantes de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (PPGECB) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) participaram da IX edição do Curso de Campo em Ecologia de Florestas do sul da Bahia, realizado no Parque Estadual da Serra do Conduru em Uruçuca (Bahia). Nesta edição, além dos três professores do PPGECB responsáveis há nove anos pela execução do curso – Dra. Deborah Faria, Dr. José Carlos Morante Filho e Dra. Maíra Benchimol, o curso contou com a participação da Profa. Dra. Larissa Rocha-Santos e do Dr. José Victor Alves Ferreira, ambos da UESC. Este livro reúne os 24 estudos de curta duração realizados pelos estudantes durante o curso, divididos entre 16 resumos referentes aos três projetos em grupo de curta duração (um dia) e 8 artigos científicos realizados em duplas, conduzido na última semana.
Ótima leitura a todo(a)s!
Maíra Benchimol
José Carlos Morante-Filho
Larissa Rocha-Santos
Deborah Faria


CADERNO 4: Laboratórios Intersaberes, unindo Ciências Ancestrais e
Acadêmicas para Sociobioeconomias Inovadoras
ISBN: 978-65-80261-58-1 | DOI: 10.35170/ss.ed.9786580261581
Ano: 2025
CO-AUTORES
André Fernando Baniwa, Carlos Nobre, Floriana Breyer, Luciana Villa Nova,
Luiz Ricardo Marinello, Simone Athayde
AUTORES COLABORADORES
Antônio Marcos Pantoja dos Santos, Elizângela da Silva Costa, Fabrício Suruí


CADERNO 3: Gênero e Juventude: Intersaberes e Olhares sobre os
Protocolos de Consulta e Consentimento Prévio, Livre e Informado
ISBN: 978-65-80261-55-0 | DOI: 10.35170/ss.ed.9786580261550
Ano: 2025
CO-AUTORAS
Amanda Rayana da Silva Santos
Elizângela da Silva Costa
Elizeth Marques de Souza
Ruth Helena Cristo Almeida
FACILITADORA: Floriana Breyer


CADERNO 2
Justiça e Mudanças Climáticas
ISBN: 978-65-80261-54-3 | DOI: 10.35170/ss.ed.9786580261543
Ano: 2025
CO-AUTORES
Jéssica Albuquerque
Josiane dos Santos
Maria do Perpétuo Socorro Rodrigues Chaves
Miqueias Souza
FACILITADORA: Simone Athayde


CADERNO 1: Financiamento em Ciências, Inovação e Tecnologias da
Sociobiodiversidade: o que temos e o que queremos?
ISBN: 978-65-80261-53-6 | DOI: 10.35170/ss.ed.9786580261536
Ano: 2025
saberessociobio.com
CO-AUTORES
Chicoepab Surui Dias
Danilo Nelson Santos Miranda
Lúcia Tereza Ribeiro do Rosário
Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti
FACILITADORA: Luciana Villa Nova



